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domingo, 26 de maio de 2013

da criação-comunicação


queria(?) narrar sobre a vida que tem escorrido das árvores e da morte dos seus membros. da perda de partes. da criação de espaços para criação de vida. da morte como criação de vida. da insistência última em ver por dentro do fora. em virar do avesso sem desfazer. danço com as árvores e embalo-me com o vento brando. uma árvore não está imóvel - as suas raízes nunca deixam de crescer - de se movimentar - de adentrarem ainda mais na terra - de se expandirem por debaixo do sol/solo - abarcando - devolvendo - aconchegando. e vai crescendo - dançando a sua verticalidade. um desafio às leis da gravidade. e nós também. verticais. danço na vertical. o corpo escorrega para cima. entre o céu e a terra e o invisível. uma árvore podada é a perna do m. o seio da e. a trompa da s. é o espaço vazio que fica por dentro do contorno. o desenho não desaparece. é a dor fantasma. porque a vida continua lá. entendamos: a vida é a consequência da vida. e a morte nasce connosco desde que somos célula.

domingo, 19 de maio de 2013

da ruína


residência artística em vila velha de ródão | tapada da tojeira
[video_still]

densificar a pergunta - afinação


a solidão acompanhada aparece então como a vibração de escutar o acontecer entre. entre chegar-deixar chegar, entre célula e matriz, entre uma membrana e outra, mas também entre o desconhecido e o desconhecido. a afinação não é mensurável, pelo menos não com um dispositivo que a fixe. quando duchamp pergunta como fixámos o metro densifica a pergunta das coisas fixas.

solidão acompanhada, por sofia neuparth

terça-feira, 16 de abril de 2013

(ainda) do movimento



em movimento contínuo não sei ainda bem a que velocidade. dentro do corpo. a adentrar no corpo. na escuta. um estado de alerta constante. um cansaço que vai chegando e eu a tentar mandá-lo embora. ainda a espera. tantas vezes a espera. e surgem perguntas: Perguntar! um limbo entre a euforia e a apatia. as ruas a desenharem os mapas das cidades e as árvores com os seus mapas próprios nos troncos e a minha geografia inteira dentro disto tudo. deste mundo inteiro. desta maravilha toda. que tem tanta merda. encontrar novas perguntas a cada dia. onde mora a tua atenção? eu vou passeando a minha pelo agora. talvez por isso fuja aos textos, à academia, à literatura. venha um pouco de filosofia. venha o pensamento-movimento. convocarei as superfícies de encontro.

sábado, 2 de março de 2013

estar

torel, upload feito originalmente por sossego.

a rota levou-me até um jardim maravilhoso - onde se aprender a estar - a respirar. onde há também contrastes mas onde os bancos de jardim são ainda feitos para as pessoas. este sol de lisboa reflectido por toda a cidade - reflectido no rio. este sol de lisboa que é só o de lisboa que não pode ser de mais nenhuma cidade.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

do estendal


gosto de ficar a ouvir histórias de vida. estar numa casa ligeiramente inclinada, pequena, onde tudo se agiganta. A começar pela D. Piedade, que enche a pequena sala de ternura de tal forma que extravasa a janela. gosto de estar perto de pessoas como a D. Piedade, para quem um estender de roupa é um acto de coragem.