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domingo, 17 de abril de 2016

do todo


«Ao pensar no imenso impacto que pequenos gestos podem causar, chega-se à conclusão de que cada pequeno acto é importante. Essa é a relação de interdependência: a consciência de que o todo depende de um único indivíduo e que cada indivíduo depende do todo para existir».

Nazaré Fernandes, laureada do Prémio Norte-Sul em 2001
Maio 2010, Le Monde Diplomatique - versão portuguesa.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

da sociedade civil


«Se o poder político é, em Portugal, sensível a todas as pressões, menos às dos cidadãos, não é porque ele seja diferente de outros, no resto da Europa. É porque a nossa sociedade civil é pouco ativa, pouco persistente e pouco exigente. Quando se mexe, quando insiste, quando não espera que a realidade mude apenas com uma manifestação, em Setembro, os resultados acabam por se sentir. Depois da aprovação da nova lei, a realidade dos falsos recibos verdes não mudará de um dia para o outro. Mas melhorará um pouco. Porque estas guerras levam tempo e dão trabalho. Fazem-se de pequenas batalhas. E esta foi ganha.» 
Daniel Oliveira, Antes pelo contrário, no Expresso
 

domingo, 19 de maio de 2013

densificar a pergunta - afinação


a solidão acompanhada aparece então como a vibração de escutar o acontecer entre. entre chegar-deixar chegar, entre célula e matriz, entre uma membrana e outra, mas também entre o desconhecido e o desconhecido. a afinação não é mensurável, pelo menos não com um dispositivo que a fixe. quando duchamp pergunta como fixámos o metro densifica a pergunta das coisas fixas.

solidão acompanhada, por sofia neuparth

sábado, 18 de maio de 2013

dos pássaros


«Nessa fase, estranhamente, os pássaros começam a oferecer-se-nos, atravessam-se-nos ao caminho nos sítios mais inesperados (no meio da cidade, até) e curam eles mesmos a leve angústia que sentimos quando deixou de haver tempo para sair de propósito ao encontro deles. E é o que nos salva.»

Depoimento sobre pássaros, de Gustavo Rubim

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

do sentir que é isto que dizes


«E as coisas fluem, devem fluir, quanto mais tempo melhor, e mesmo as palavras que então só dizemos só servem para exprimir aquilo que nós vivemos na relação amorosa, e isso não é necessariamente a essência do amor. Digo, és tão bonita, e exprimo não um juízo estético, mas um estado de alma, quero dizer que não há nada tão bonito como tu e que essa beleza me comove e é dessa comoção que irrompe o amor que sinto por ti. Percebes?»

António Mega Ferreira em A Expressão dos Afectos

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

«ACCOMPAGNATO
Uma ruga, o chão é uma ruga, se inclinarmos a cabeça encostando a orelha na relva húmida e macia apercebemo-nos dessa quase imperceptível flutuação do horizonte, como se a terra respirasse suavemente, numa contracção regular e repousada, sem sobressaltos nem susto.»

António Mega Ferreira, em A Expressão dos Afectos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


«(...) a mais íntima de todas as experiências: como os indivíduos estão ligados uns aos outros e, no entanto, isolados por invisíveis tecidos de ritmos e por paredes de tempo ocultas.»

em A Dança da Vida de Edward T. Hall

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

do afundar-se


"Olhou à sua volta. «As casas...», pensou compassivo, e encolheu os ombros. As casas pareciam-lhe manter-se erguidas indevidamente, com uma espécie de coerência e estabilidade desajeitadas. As pessoas, atrás das janelas, levavam objectos de um lado para o outro, pondo as mesas para o jantar. «Como se alguém se preocupasse em fazer a cama numa cabine de um barco que está a afundar-se», pensou."

em A Ilha, de Sándor Márai

domingo, 4 de novembro de 2012

do(s) movimento(s) repetitivo(s)



«Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.»

A Naifa - Monotone
3Nov12

terça-feira, 4 de setembro de 2012

das pedras


«Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? - pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra - responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, reflectindo. Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que importa.
Polo responde: - Sem pedras não há arco.»

Italo Calvino, As Cidade Invisíveis, 
trad. José Colaço Barreiros

sábado, 1 de setembro de 2012

na sala com Grão Kan e Marco Polo


«Caminhas sempre de cabeça virada para trás? - ou: - A tua viagem só se faz no passado?
Tudo para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar que explicava ou imaginarem que explicava ou conseguir finalmente explicar a si próprio que aquilo que ele procurava era sempre algo que estava diante de si, e mesmo que se tratasse do passado era um passado que mudava à medida que ele avançava na sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, digamos não o passado próximo a que cada dia que passa acrescenta um dia, mas o passado mais remoto. Chegando a qualquer nova cidade o viajante reencontra o passado que já não sabia que tinha: a estranheza do que já não somos ou já não possuímos espera-nos ao caminho nos lugares estranhos e não possuídos.»

Italo Calvino, As Cidade Invisíveis, 
trad. José Colaço Barreiros

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

mãos por trás das tuas roupas



«What do you feel about GAP clothes being sold for average of $50 per item in UK?

“I feel so hurt to see the price of GAP is so expensive while I got very low wage from it.  I work so hard from day to day (At least 1000 shirts per day) but I just get a very low wage.  So GAP finds very high benefit from this.
I feel unfair that they just sell few of shirts and it is equal to my wage per month."» 

sábado, 28 de julho de 2012

no contexto da imobilidade


«Se a matemática fosse assim tão divina e universal, como conceber que a eliminação de uma única espécie - o Homem - de entre biliões de espécies existentes pudesse eliminar por completo essa lógica dos números em toda a superfície do planeta?»

Gonçalo M. Tavares, em Um Homem: Klaus Klump

quinta-feira, 12 de julho de 2012

do sublinhar da poesia de outros

1

Quebrar o silêncio
e depois recolher
os pedaços
testar-lhes o corte
o brilho
cego

Ana Martins Marques
"10 visitas ao lugar comum": http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-68/poesia/10-visitas-ao-lugar-comum

sábado, 23 de junho de 2012


«É verdade que os islamistas se apropriaram das revoltas, mas nas ruas da Tunísia ou do Egipto continuam também os democratas e as mulheres.

Há uma resistência da sociedade laica. Na Tunísia, [Habib] Bourguiba [presidente derrubado em 1987 por Ben Ali] deu às mulheres o estatuto mais liberal de todo o mundo árabe. Agora, elas não querem perder esse estatuto. E os islamistas não querem que elas o mantenham. O problema crucial do islamismo é a sexualidade. O medo visceral do homem islamista é que alguém veja a sua mulher ou toque nela. Estão, decidem escondê-la. E há mulheres que aceitam isso, o que é completamente incompreensível.

Nas manifestações estão mulheres laicas e religiosas.
Sim. Ao mesmo tempo, a mulher actual, moderna, quer participar na vida e tem consciência política. Em Marrocos, há mulheres que usam véu e que trabalham como as outras. É uma questão de grau, às vezes trata-se de uma reacção contra o Ocidente, que vê a mulher como um objecto, passando essa ideia através do cinema e da televisão. Há mulheres que, mesmo não sendo fanáticas, reagem a isso. Não têm vontade de se mostrar assim. Há uma parte de moralidade no islamismo.»

Tahar Ben Jelloun (Marrocos, 1944)

terça-feira, 1 de maio de 2012

dos pequenos tesouros


em 1950 descobriu-se um curioso esconderijo:
"os pequenos Dodgson haviam ali ocultado um «tesouro», talvez destinado às gerações futuras - um lenço de criança, um canivete, cacos de porcelana, um dado em miniatura, uma luva branca de dimensões minúculas... Numa ripa, lia-se a seguinte inscrição, escrita por Charles: «E havemos de percorrer o vasto mundo, à procura dos búfalos.»

em Lewis Carroll no país das maravilhas, de Stephanie Lovett Stoffel

segunda-feira, 30 de abril de 2012

da criatividade


"Curiosity, creativity, discovery and wonder; they aren’t traits of youth, they’re traits of learning. If you want to feel younger and you want to replicate the conditions of youth, do that." - Bejamin Salka

fonte: swissmiss

domingo, 15 de janeiro de 2012

do equilibrismo

«A história de alguns encontros é um exercício de equilibrismo dos sentimentos.»

Marina Tsvietaieva, Indícios Terrestres

terça-feira, 1 de novembro de 2011

do relembrar


“What the hell makes you so smart?” I asked.
“I wouldn’t go for coffee with you,” she answered.
“Listen – I wouldn’t ask you.”
“That,” she replied, “is what makes you stupid.”





lido há vários anos atrás, no piroso Love Story, que me veio parar novamente às mãos no dia de hoje.

terça-feira, 19 de julho de 2011

do silêncio

«Num romance temos de usar palavras constantemente. Numa peça de teatro podemos usar pausas, cortes e silêncios. É daquilo que não é dito que quero falar, mesmo na minha prosa. Isso foi uma revelação para mim. Sento-me e escuto. Escrevo a partir do que oiço. Não conhecia esta história nem estas duas figura antes de escrever a peça. Isso é o mais interessante: mergulho no desconhecido e regresso com algo que desconhecia anteriormente. Quando era mais jovem não acreditava em nada. Hoje sou um cristão e um místico. O que mudou foi a escrita. Escrever é uma experiência religiosa, sem dúvida. Não sei de onde vêm as palavras. Tudo o que posso comprovar é que as escrevi. Mas não consigo explicar de onde emanam. Não sei quem sou.»

Jon Fosse
a propósito da sua peça I am the Wind