não me lembrava já do que era ter insónias. as paredes brancas são eternas. o escuro também, mesmo de olhos abertos. e o calor, que fica de uma parede à outra. sonho com umas mãos que ainda não conheço bem. não sonho com nada. sonho com coisa nenhuma. coisas umas em cima das outras. empilhadas. ninguém passa na rua, não são horas de passar na rua. não são horas de alguém dizer para me ir embora. olha, vai-te embora, obrigadinha e vai-te embora. Depois de meses de encalço de beleza. Olha, agora vais-te embora. Não vales nada, percebes? Isso não é para ninguém. Não são horas de ninguém passar na rua.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
dos pequenos tesouros
em 1950 descobriu-se um curioso esconderijo:
"os pequenos Dodgson haviam ali ocultado um «tesouro», talvez destinado às gerações futuras - um lenço de criança, um canivete, cacos de porcelana, um dado em miniatura, uma luva branca de dimensões minúculas... Numa ripa, lia-se a seguinte inscrição, escrita por Charles: «E havemos de percorrer o vasto mundo, à procura dos búfalos.»
em Lewis Carroll no país das maravilhas, de Stephanie Lovett Stoffel
segunda-feira, 30 de abril de 2012
da criatividade
"Curiosity, creativity, discovery and wonder; they aren’t traits of youth, they’re traits of learning. If you want to feel younger and you want to replicate the conditions of youth, do that." - Bejamin Salka
fonte: swissmiss
quinta-feira, 19 de abril de 2012
há muito tempo que não escrevo aqui. coisas banais. nem aqui nem nos cadernos, no papel, com as canetas e a tinta. quase já não sujo os dedos de tinta e os marcadores são demasiado limpinhos. hoje fui tirar fotografias aos ossos. radiações nos joelhos. máquinas com olhos que atravessam a pele. tenho pensado muito nos ossos. tenho pensado muito na natureza dos ossos. tenho pensado muito nos ossos do meu peito quando corro ou dou abraços. na forma dos meus ossos. nos ossos dos meus joelhos que doem. ou nos tendões. ou nas articulações. no corpo todo. nos corpos todos. não é só no meu corpo que penso. também penso em lábios. às vezes penso em lábios e em morrer pelos lábios como numa fábula qualquer muito conhecida. às vezes penso em morrer mas desperto logo de seguida. de momento sigo na estrada e já não tropeço nos pés. tenho andado mais devagar e é bom porque já não tropeço. mas o coração, esse, ao contrário dos meus passos, não desacelera nunca. tenho um coração e ossos e outras coisas que não importa referir porque estaria a repetir-me. tenho uma ilha. e tenho os meus músculos e os teus músculos que permitem aos meus músculos ir repousando noite por noite. tenho ainda força nos músculos. tenho ainda.
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