sábado, 4 de dezembro de 2010
da inspiração e da força e da revolta e da acção
o pai toxicodependente. o filho institucionalizado. em primeiro, o abandono. em segundo, o perdão. não queria explicar mais do que isto. apenas acrescentar que há testemunhos que me abrem os olhos para além do azul e que me inspiram a lutar pela educação neste país. mesmo.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
do silêncio
hospital. corpo-de-mulher-como-um-quadro-da-paula-rego. voluntariado. aftas. saudades. colo. gato. veterinário. comboio. aflição. mal-estar. sorrisos. amor. tinteiro. buracos. livros por ler.
podia ter escrito tudo isto num texto. podia espalhar tudo isto num texto. mas não me vou esforçar desta vez.
hoje não sei escrever. e isto não faz disto um texto.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
da proximidade
Entrei na livraria percorri as mesmas estantes percorridas no Domingo e um livro que desarrumei nesse dia continuava intacto sereno no mesmo sítio em que o deixei. saio para a rua e as gotas da chuva caiem sobre mim sem me tocarem. não tenho guarda-chuva. apenas um gorro feito à mão. Fico surpreendida com a velocidade do cair da chuva no chão e com o meu não-sentir. Magoei-me no nariz, segunda-feira. Mas de momento estou mais centrada nas dores dele. Do pequeno que continua na cama de um hospital. Uma borboleta luta contra o vidro de uma janela. Os meus olhos mudam de cor. Estão cinzentos agora. Por dentro, vesti-me de azul escuro. No meu quarto, está um barco-caixa que me vai salvar de ser engolida por esta noite. Adormecerei.
da imaginação
Depois de fechar a porta da rua pela quarta vez, após breves arrepios de frio.
- Mas quem é que anda a abrir a porta?
- Deve ser Allah, Professora.
Sorriso.
- Mas quem é que anda a abrir a porta?
- Deve ser Allah, Professora.
Sorriso.
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