segunda-feira, 18 de outubro de 2010


sótão desabitado
arrecadação de cenário e adereços
paisagem desencontrada
chão côncavo do lustre
aqui mesmo
rodeada disto tudo
o lugar preferido.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

não sobra muito mais por dizer



Miúdos mineiros, Pensilvânia, 1911


quinta-feira, 14 de outubro de 2010


contínua aprendizagem. quererei saber mais, sempre.
a curiosidade é tudo.
cabelo solto
reflexo no vidro do comboio
uma camisola preta, de costas
canto uma música por dentro
danço com o pé
ele olha para mim
eu não

domingo, 10 de outubro de 2010

apenas

Kakuma, Terra de Ninguém


desliguei o telefone e por pouco não desliguei o coração. anos de vida cravados de chumbo. a inutilidade. e a lição sobre o peso do abandono.

sábado, 9 de outubro de 2010

fotografia


O que pensas quando olhas aquela fotografia? O homem observa com o olhar atento, pousado. Rosto neutro. Surge na imagem a fotografia de um cavalo branco a transportar uma carruagem. Imagem do mundo perfeito impressa em folha de calendário e presa a uma parede por um prego. Ele responde não sei. Pensamos em tanta coisa quando olhamos para uma fotografia. O rosto trémulo. A mulher diz, muito segura de si, "quem me dera ir nela". O homem responde, muito seguro de si, "nunca nos deixariam ir nela". A mulher pergunta a si mesma "teríamos dinheiro para andar nela?" Aquele rosto, trazido para a minha vida, pertencia a um motorista de riquixá, no Bangladesh. Ele é o cavalo branco na sua bicicleta. Ele é o rosto puro do mundo. Ele é aquele olhar brilhante tão cheio no seu rosto vazio. Ele e ela e a simplicidade de duas frases. A saltarem do ecrã para dentro de mim.


após visionamento de um episódio de "city folk", no canal 2: